segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Comercio As Trocas e o Sistema do Dom Entre os Fenícios.

Trabalho Apresentado em Aula de História Antiga na UFBA (Noturno) 07/08/2017. Apresentação foi baseada nos estudos dos autores:

Marcel Mauss. 1872-1950, escritor, sociólogo e antropólogo francês. Marcel Mauss era sobrinho de Émile Durkheim, A obra: Ensaio Sobre o Dom foi publicada pela primeira vez em 1925. A Obra é reconhecida como a mais antiga e importante sobre a reciprocidade o intercâmbio e a origem antropológica do contrato.
Maria Cristina Kormikiari.
Doutora em ciências, na área de arqueologia pela faculdade de filosofia, letras e ciências humanas da USP. Pós Doutoranda do Museu de Arqueologia e Etnografia da USP.

Fenícios


Chamados Sidônios no Antigo Testamento e de Fenícios pelos Gregos. Os Fenícios estabeleceram-se na costa mediterrânea por volta de 2500 a.C. Este povo era atípico em muitos aspectos, a começar por sua origem praticamente desconhecida. Segundo Heródoto (484 a.C - 430 a.C.), teriam vindo do Oceano Índico, o que contradiz as hipóteses da maioria dos estudiosos modernos, Os documentos assinados pelos próprios fenícios não elucidam essas dúvidas, pois sempre que falavam de si faziam referência somente ao endereço para o qual haviam mudado. No começo de sua história desenvolveram-se sob a influência das culturas suméria, acádia e da vizinha Babilônia.

Localização Geográfica, Rotas Comerciais



Legado

Foram Muitos os Legados deixados por esse povo entre eles podemos citar:
*Alfabeto Fenício:


Acredita-se que o alfabeto grego seja baseado no alfabeto fenício, bem como os alfabetos aramaico, hebraico e arábico, assim como diversos outros.


*Embarcações Fenícia:


O Birreme é um navio fenício considerada uma das melhores embarcações da Antiguidade. Tinha duas ou três fileiras de remos - daí o nome birreme ou trirreme e até 35 metros. Foi copiado por outros povos, que o usaram para dominar a navegação no Mediterrâneo.



Principais Cidades
Ugarit:


foi uma antiga e cosmopolita cidade portuária, situada na costa mediterrânea do norte da Síria,


Biblos:


situa-se na costa mediterrânica do atual Líbano, a 42 quilômetros de Beirute. É um foco de atração para arqueólogos devido às fases sucessivas de vestígios arqueológicos resultantes de séculos de ocupação humana.


Tiro:


Localizada na costa do mar Mediterrâneo atual Líbano, era uma das mais importantes cidade Estado do território da Fenícia.


Sidon


Situa-se na costa do mar Mediterrâneo, a cerca quase quarenta quilômetros ao Norte de Tiro.


Cartago


(Norte da África): Cartago foi uma potência do mundo antigo, disputando com Roma o controle do Mar Mediterrâneo. Dessa disputa originaram-se as três Guerras Púnicas, após as quais Cartago foi destruída.


Os Fenícios Comercializavam uma Infinidade de Produtos, Entre Eles Podemos Destacar:
* Azeite de oliva
* Vinho.
* Papiro
* Jóias
* Tecidos Tingidos
* Caldeirões em Bronze
* Armas
* Cereais
* Vidros.
* Marfins.
* Cedro do Líbano

Artigo da Maria Cristina Kormikiari


Características

Os Fenícios sempre foram conhecidos pela sua habilidade no comércio. Homero em a (Odisséia, XV,vv.415-482), foi um dos primeiros a nos relatar esse espírito de “comerciante nato” dos Fenícios... Ao reproduzir o diálogo entre Odisseu e Eumeu, o porqueiro...

Talvez já tenhas ouvido falar duma ilha de nome Síria, ao norte de Ogígia, do lado onde o sol se esconde [ .. Há duas cidades ali e todo o território esta dividido em duas partes. Sobre as duas reinava meu pai, Ctésio, filho de Ormeno, semelhante aos imortais. Apareceram ali uns FENICIOS, navegadores famosos, gente cúpida; traziam em seu negro barco uma infinidade de quinquilharias. Tínhamos em casa de meu pai uma mulher fenícia, bela, alta, hábil em finos trabalhos; os fenícios astuciosos a iludiram. Quando ela lavava roupa perto do bojudo barco, um deles deitou-se, primeiro, com ela, nos laços do amor, coisa que engana o juízo das mulheres, mesmo das honestas; depois, perguntou-Ihe quem era e donde vinha. Ela prontamente Ihe apontou a casa de meu pai: Prezo-me, disse, de ser de Sidon, rica de bronze, e sou filha de Áribas, dono de rios de dinheiro; raptaram-me, porém, piratas táfios, quando voltava do campo; eles trouxeram-me para aqui e levaram-me a casa deste homem, que pagou bom dinheiro. Tornou-Ihe, então, homem que a possuía ocultamente: Gostarias de voltar conosco para tua casa, rever teu pai e tua mãe e sua alta mansão? Com efeito, ainda vivem e passam por abastados Volveu-lhe a mulher a seguinte resposta: Bem poderia ser, se vos, marinheiros, quisésseis abonar vossa palavra com juramento de levar-me sã e salva a minha casa. [ ] depois de jurarem e solenizarem o juramento, volveu-Ihes a mulher a seguinte resposta: Silencio, agora; que nenhum de vossa tripulação fale comigo quando me encontrar na rua [...] Guardai na memória que vos digo e apressai o escambo das mercadorias Quando, enfim, o barco estiver repleto de viveres, mandai-me um aviso ao solar; eu trarei o ouro que estiver a mao. De bom grado daria ainda outra paga da passagem. É que sou, na mansão, ama do filho do fidalgo, menino assaz vivo [... ] eu traria a bordo e por ele alcançaríeis um preço altíssimo [...]'



Este autor, através desse trecho de sua obra também atribui aos Fenícios a característica de sagazes e espertalhões, fama que acompanhará esse povo ao longo de toda a historiografia Grega e Romana.

Princípio

Os modos e processos de trocas empregados pelos fenícios remontam o período do bronze no Mediterrâneo Oriental, antes inclusive da concentração de cidades semitas na costa da Anatólia, próximo do ano 1200 a.C, anterior portanto à formação do que pesquisadores atualmente denominam, seguindo o termo grego de: Fenícia.

Uso de Moeda

As cidades Fenícias, assim como Cartago, passa boa parte de sua história sem adotar uma economia monetarizada, mesmo mantendo intenso contato com sociedades que já ás utilizavam. Os Fenícios adotariam a moeda no século V a.C e pelos Púnicos, pois, como vimos anteriormente a partir do século VI a.C a historiografia moderna ocidental impôs esses termos, todavia trata-se ainda da fenícia.

Vocação

Segundo a autora os Fenícios utilizaram-se de uma extensa rede de contatos e de um elaborado sistema de trocas para realizar o que chamou de “vocação máxima desse o povo”: O Comércio.

Já a partir do século XI a.C os fenícios empreenderam, através da obtenção do monopólio de matérias primas, uma sólida política comercial, expansionista e de dominação de mercados estrangeiros

O Sistema de Troca Fenício

Constantes Mudanças

Os fenícios sempre foram conhecidos pelos antigos e até mesmo pela historiografia pela sua intensa atividade comercial, entretanto segundo a autora, O período dessas intensas atividades comerciais foi “relativamente pouco” sendo possível delimitá-lo entre os séculos XI e VII a.C, quatro séculos portanto, período onde ocorreram diversas mudanças na: mão de obra, nos quadros sociais, nos circuitos nos quais eles agiam e nos objetos comercializados.

Período Pré-Colonial

Os séculos de XI a VIII a.C são tratados pela historiografia como período pré-colonial Fenício, Período, segundo o texto de visitas a territórios novos com o intuito de realizar colonização em momento posterior.
O rodapé do texto observa que de acordo com estudos até agora desenvolvidos não há evidencias de que cidades fenícias comercialmente ativas como Tiro, tivessem o objetivo de estabelecer colônias nos locais de contato comercial no ocidente do mediterrâneo.
Invasões e seus Impactos

O profeta Ezequiel (XXVII, 12-24) narra com detalhes as abundantes localidade s que Tiro, cidade fenícia negociava... O Texto bíblico que tem o sugestivo título: CÂNTICO FÚNEBRE SOBRE A QUEDA DE TIRO, narra o circuito comercial dessa cidade que manteve esse tipo de relação com inúmeras regiões do mediterrâneo oriental e da Ásia.

Informações complementares informam também que nos séculos XI a VII a.C, já identificados como pré-coloniais os Fenícios enfrentaram restrições em suas atividades imposta por reinos conquistadores. Esses impactos se diferenciavam nas atividades Fenícias de acordo com o povo conquistador. Os Assírios não exerceram domínio opressivo, as cidades fenícias puderam manter suas atividades comerciais mediante pagamento de impostos os persas, por sua vez, tiraram totalmente a autonomia comercial fenícia no final do século IV a.C., entretanto achados como vasos áticos atestam que produtos extrangeiros continuavam a chegará Fenícia

Natureza das Trocas

Relato de Ounamon:

Escrito em papiro egípcio do século XI a.C relata a história de Ounamon enviado egípcio a corte do Rei Shekerbaal de Biblos. O texto narra as desventuras de Ounamon encarregado de comprar madeira Fenícia para construção do barco sagrado do deus Ammom e que passa dificuldades até ser aceito como interlocutor. Shekerbaal em princípio se recusa a tratar com Ounamon e o faz apenas quando o Egito lhe envia uma série de presentes, ou seja quando sua posição é reconhecida e ele vê-se na obrigação de retribuir. (Relato de Ounamon é uma obra literária).
Transação entre Hiran Rei de Tiro e Salomão Rei de Israel.
Ao enviar dois servos para prestar homenagem a Salomão que acabara de ascender ao trono no lugar do Rei David. Salomão mandou dizer a Hiram: Você sabe que meu pai não conseguiu erguer um templo em nome do Senhor por causa das guerras lançadas a ele por seus inimigos... ... Mas agora o Senhor mim trouxe paz em todas as partes... ... Tenho portanto o desejo de construir um templo em nome do Senhor, meu Deus... ... Mandem então que cortem para mim cedros do Líbano: Meus servos se unirão aos seus. A esses darei a recompensa que você exigir pois você bem sabe que entre meu povo não há ninguém capaz de cortar madeira como os sidônios. III Reis (V, 1-11)

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