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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Algumas Questões Sobre o Primeiro Capítulo do Livro: A Produção do Fracasso Escolar, Histórias de Submissão e Rebeldia da Autora: Maria Helena Souza Patto.

Questionário sobre o capítulo 1, intitulado: "Raízes Históricas das concepções sobre o fracasso escolar: O Triunfo de uma Classe e Sua Visão de Mundo", que é parte do livro de Maria Helena Souza Patto: "A produção do fracasso escolar Histórias de submissão e rebeldia".

01 - Como a Autora Aborda o Surgimento dos Pobres na Sociedade Moderna?

A autora na realiza, na “pág. 29” uma minuciosa explicação do período de transição entre a passagem das sociedades feudais para as sociedades capitalistas na Europa, sugerindo “esse evento” como um dos responsáveis pelo surgimento do que hoje popularmente chamamos de “pobres” a mesma, já na pág. 32, desenvolve sua tese contextualizando sua afirmação, diz: “os antigos artesãos e camponeses vão perdendo suas condições anteriores de produtores independentes e de agricultores que ocupam e cultivavam a Gleba, destituídos de seus instrumentos de produção de sua matéria prima e da terra para cultivar suas condições de vida tornaram-se insustentáveis”, Patto, afirma também que neste momento o acometimento de pestes e eventos climáticos, tornam o quadro ainda mais dramático, (...) São eles que vão agora integrar os grandes contingentes famintos que se acumularam nas cidades e que veio a se tornar um tipo de trabalhador ainda inédito na história da humanidadeo trabalhador assalariado, que vende no mercado de trabalho o único bem que lhe resta a energia de seus músculos e cérebro. São eles que vão formar o contingente dos trabalhadores da indústria e as populações pobres das cidades, submetidos a um regime e a um tipo de trabalho que lhes eram estranhos, mas, dos quais não podiam fugir, são eles que vão trabalhar nas máquinas e na indústria extrativa de sol a sol, em troca de salários aquém ou no limite fisiológico da sobrevivência.

02 – Como Patto Caracteriza o Trabalho Alienado?

A autora localiza as origens do Trabalho Alienado no momento em que o produtor começa a ser destituído dos meios de produção e começa a produzir para outrem. E ainda, quando os homens começam a dividir-se em proprietário exclusivo das máquinas e da matéria prima e trabalhadores que não as possuem. As relações de produção que assim se estabelecem fazem parte da própria natureza do modo de produção que começa a vigorar. Dando base a seu argumento a autora cita Marx: “No primeiro manuscrito Econômico e Filosófico, Marx (Em Fromm 1970), propõe-se a desvendar a verdadeira natureza desse trabalho, dessa forma de trabalho na qual:
*A - o Trabalhador se sente contrafeito na medida em que esta atividade não é voluntária, mas lhe é imposta, é trabalho forçado.
* B - O trabalho não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades.
* C – O Trabalho não é para si, mas, para outrem.
* D - O trabalhador não se pertence, mas sim a outra pessoa.
A autora continua, o Caráter Alienado desse processo de trabalho fica patente, segundo Marx, pelo fato de que sempre que possível ele é evitado, trabalhar nestas novas condições da indústria capitalista significa mais do que sacrificar-se, significa mortificar-se, de vida produtiva o trabalho reduz-se a meio para a satisfação da necessidade de manter a existência, esta identificação com a atividade vital é característica do animal que não distingue a atividade de si mesmo, ele é sua atividade. Já o homem faz de sua atividade vital um objeto de sua vontade econômica.

03 – Porque a Autora Afirma Que Houve “Desintegração de Uma Aliança Social” a partir da segunda metade do século XIX?

Pág 35: A autora interpreta a ruptura entre burguesia e proletariado como desintegração de uma aliança, a mesma explica que: Durante o século XVIII e nas primeiras décadas do século seguinte a burguesia foi porta voz do sonho humano de um mundo igualitário fraterno e livre. Com o passar do tempo o proletariado viu a sua reação começar á “ser expressada” através de formulações teóricas socialistas e os vários tipos de governo reformista que se sucediam tinham apenas o objetivo de defender os interesses da burguesia das pressões revolucionárias socialistas e monarquistas. A autora sugere aqui um abandono por parte da burguesia da luta por uma igualdade de condições social almejada pela classe trabalhadora, e continua, em meados do século XIX o sonho havia acabado para alguns setores mais conscientes do proletário e para seus intelectuais orgânicos. A ruptura entre burguesia e proletariado, porém não se daria exceto na Grã Bretanha, antes de 1848, todavia, segundo (Hobsbawm, 1982, p.139), em torno de 1830 um movimento socialista e proletário era visível na Grã-Bretanha e na frança; uma massa de trabalhadores pobres via nos reformadores liberais seus prováveis traidores e nos capitalistas seus inimigos seguros



04 – Quais as Relações entre o Ideário e o Positivismo?

O Ideário Iluminista convergia com as ideias do positivismo, uma vez que o positivismo defende que a ciência é a única forma de conhecimento verdadeiro. Patto afirma que o Ideário Iluminista se fortaleceu com o visível progresso ocorrido na produção e no comércio, a autora afirma ainda que essa ideologia encontrou maior receptividade e entusiasmo entre aqueles mais diretamente beneficiados pela nova ordem econômica e social em ascensão: Os círculos mercantis os financistas e os proprietários além dos administradores sociais e econômicos aliados a esse espírito científico.

05 – Patto Afirma que Houve Uma Contradição Básica no Século XIX. Que Contradição é Essa? E Como as Ciências Humanas Buscam Responder a Ela?

A autora explica na página 38 de seu texto que, o que ela chama de Contradição Básica no Século XIX, deu-se no momento em que a sociedade Burguesa atingiu seu apogeu, passando a segregar cada vez mais o trabalhador braçal e se tornando inflexível na admissão dos “que vêm de baixo”. No nível político e cultural mantém-se vivo a crença na possibilidade de uma sociedade igualitária, num mundo onde, na verdade, a polarização social é cada vez mais radical entre as pequenas conquistas de uma minoria do operariado e a acumulação de riqueza da alta burguesia cavara-se um abismo que saltava os olhos, justifica-los seria a tarefa das ciências humanas que nascem e se oficializam neste período.

06 – Quando Surge Uma Política Educacional Em Sentido Estrito e Qual o Papel da Escola Nesse Contexto?

A pesquisa histórica revela que uma Política educacional em “Seu Sentido Estrito” tem início no século XIX e decorre de três vertentes da visão de mundo dominante na nova ordem social: De um lado a crença no poder da razão da ciência, legado do iluminismo, de outro, o Projeto liberal de um mundo aonde a igualdade de oportunidades viesse a substituir a indesejável desigualdade baseada na herança familiar; finalmente a luta pela consolidação dos estados nacionais, meta do nacionalismo que impregnou a da política europeia no século passado. Mais do que os dois primeiros a ideologia nacionalista parece ter sido a principal propulsora de uma política mais ofensiva de implantação de redes públicas de ensino em partes da Europa e da América do Norte nas ultimas décadas do século XIX

07 – Caracterize as Teorias Racistas Que Ganharam Notoriedade no Final do Século XIX e Início do Século XX na Europa.

Pag 52 No nível das ideias, a passagem sem traumas da igualdade formal para a desigualdade social real inerente ao modo de produção capitalista dar-se pela tradução das desigualdades sociais em desigualdades raciais, pessoais ou culturais, no entanto segundo Hobesbawm a tendência em atribuir a pobreza a uma inferioridade inata e os piores abusos das teorias racistas só se darão após os anos cinquenta de século XX, ainda segundo o texto a França era o berço das teorias do determinismo racial que começam a ser formuladas logo após o triunfo da revolução burguesa ainda no final do século XVIII, logo após os debates raciais iniciaram-se na Grã Bretanha, e ali ao contrário da frança encontrou alguns obstáculos, sobretudo o pensamento cristão (...). A adesão às teorias anticlericais e ao colonialismo e ao cientificismo permitiu que estereótipos e preconceitos milenares adquirissem status de conhecimento neutro da ciência experimental e positiva a providencia foi substituída pela fisiologia, ciência experimental e positiva que se voltou para a questão das diferenças raciais individuais. A divulgação mais ativa das ideias racistas dar-se a partir dos primeiros anos do século XIX e seu prestígio atinge o ponto mais alto entre 1850 e 1930, Cabanis (1757-1808) médico e filósofo Frances foi um dos mais influentes desse pensamento defendendo teses poligenistas segundo a qual a origem dos humanos é “múltipla” o que autoriza a conclusão de que existem raças anatômicas e fisiologicamente distintas e por isso mesmo psiquicamente desiguais.
Essas teses contrariam a tese monogenista da igreja católica de que todos os homens foram criados a imagem e semelhança de Deus e a origem mítica de que todos os seres humanos tem adão como pai comum.
As teorias antropológicas de Cabanis se fará sentir por pelo menos cento e trinta anos seguintes, a afirmação da desigualdade das raças com base em teses antiquíssimas sobre a relação entre clima temperamento e em sua crença na herança de caracteres adquiridos é um denominador comum entre as teorias racistas formuladas em várias partes do mundo até pelo menos os anos trinta do século XX.


08 – O Que Sir. Francis Galton (1822 – 1911) em suas Atividades Intelectuais, Especialmente na Obra (Hereditary Genius), Pretendeu Demonstrar? Como Sua Teoria se Relaciona Com o Darwinismo?

Sir. Francis Galton, segundo a autora na pág. 58 contribuiu significativamente para o desenvolvimento de noções de distribuição normal, significância estatística e correlação da psicologia experimental, colaborando ainda para criação de “testes psicológicos” que tinham como objetivo principal medir a capacidade intelectual e comprovar a sua determinação hereditária, Sir. Galton era um dos principais adeptos das teorias de Charles Darwin, Galton foi o primeiro a realizar a transferência (Transplante) dos princípios evolucionistas de variação, seleção e adaptação das espécies para os estudos das capacidades humanas. Em seu Livro "Hereditary Genius" Galton tem um objetivo claro, demonstrar que as aptidões naturais humanas eram herdadas exatamente da mesma forma como os aspectos constitucionais e físicos de todo o mundo orgânico. Galton, portanto desejava provar que a genialidade era herdada e segundo Patto todo o restante de sua obra era voltada para esse fim. Teses como as de Galton são contestadas e conforme Hobsbawm no próprio texto, a preocupação com as diferenças individuais e seus determinantes (...) só poderia ocorrer no âmbito da ideologia da igualdade de oportunidades enquanto característica distintiva das sociedades de classe.

09 – Qual a Relação Entre a Psicologia Diferencial e a Eugenia? Aqueles Que Defendiam a Eugenia Eram Necessariamente de Má Fé?

Pag. 58 A existência de uma viva relação entre Psicologia Diferencial e Eugenia pode ser observada em alguns aspectos. A psicologia diferencial é definida no texto como: "A psicologia que se quer investigação quantitativa e objetiva das diferenças existentes entre indivíduos e grupo”. Já a Eugenia é resumida como “ciência que visava controlar e dirigir a evolução humana “aperfeiçoando a espécie” através do cruzamento de indivíduos escolhidos para este fim”. Ambos os procedimentos convergem para a ideia do determinismo racial. Um com a ideia de determinar a real existência de diferenças entre indivíduos e a outra trabalhando com a possibilidade de potencialização e desenvolvimento das qualidades individuais de cada pessoa ou grupo. Na pág. 60, podemos observar a ideia de que o mundo da classe média estava livremente aberto para todos, portanto os que não conseguiam cruzar seus umbrais demonstravam entre outras coisas uma herança racial. Segundo o texto, ambos os procedimentos foram profundamente influenciados por Sir Francis Galton (1822-1911) que fundou a Eugenia e colaborou com o desenvolvimento da psicologia diferencial fundada pelo laboratório alemão Wundt em 1879. As ideias de Sir Galton marcaram época na psicologia, sua influencia em relação aos testes mentais foi marcante no século XIX, sendo seguidos por muitos outros profissionais como Cattell e Anne Anastasi, citados no texto. Não podemos considerar que seguir ideias como as difundidas por Galton se tratava necessariamente de má fé, afinal na época o mundo vivia o anticlericalismo e seus métodos que envolviam testes e experimentos “Científicos”, nesse contexto, dava alguma ideia de confiabilidade.

10 – Na Virada Para o Século XX e Em Suas Primeiras Décadas Quais Explicações Foram Propostas Pelas Teorias Psicológicas Para Explicar o Fracasso Escolar No Brasil?

As explicações para o desnível de aprendizagem e FRACASSO ESCOLAR NO BRASIL movimentaram intelectuais e profissionais da área no decorrer do século XIX, todavia os métodos de pesquisa para se obter tal resultado eram essencialmente estrangeiros, podemos citar por exemplo a incorporação de alguns conceitos psicanalíticos que mudaram não só a visão dominante de doença mental como as concepções correntes sobre as causas das dificuldades de aprendizagem
Passaram a ser consideradas a influencia ambiental sobre o desenvolvimento da personalidade nos primeiros anos de vida além do aumento da importância atribuída à dimensão afetivo emocional na determinação do comportamento e seus desvios. Essas mudanças provocaram uma mudança terminológica no discurso da psicologia educacional, como exemplo podemos citar as crianças que apresentava problemas de ajustamento ou de aprendizagem escolar que anteriormente eram chamadas de anormais passou a ser designada como Criança problema.
Publicações dos anos trinta operavam mudanças nas concepções das causas das dificuldades de aprendizagens escolares: Se antes, elas eram decifradas com os instrumentos de uma medicina e de uma psicologia que falam em anormalidades genéticas e orgânicas agora o são com os instrumentos conceituais da psicologia clínica de inspiração psicanalítica que buscam no ambiente sócio Familiar as causas dos desajustes infantis (...). As causas do insucesso escolar agora vão desde as físicas até as emocionais e de personalidade passando pelas intelectuais.


12 – Em Que Consistia a Teoria da Carência ou Privação Cultural? Qual a Sua Relação com As Práticas de “Educação Compensatória”?

Pag. 71, A ideia de carência social começou a ser desenvolvida a partir de um momento da história em que falar de questões de raça de maneira explícita iniciou a causar constrangimentos, E consistia na tentativa de justificar o desnível de escolaridade entre os ricos e os pobres. Nesse contexto surge como ponto importante a ideia de "ambiente". Tratava-se da instrumentalização da visão etnocêntrica e biologizada de cultura, levando-se em consideração os valores típicos das classes dominantes que eram tidas como as mais adequadas a um bom desenvolvimento psicológico.
Esther Milner, psicóloga Americana publicou em 1951 um estudo experimental cujos resultados encontram-se entre as afirmações chave da teoria da CARENCIA CULTURAL que serviram de base a inúmeros programas de intervenção desenvolvidos no decorrer dos anos sessenta. A Teoria da Carência Cultural é marcada por uma visão etnocêntrica e preconceituosa em relação aos pobres, um exemplo é afirmar que diferentemente da criança rica a criança pobre ao entrar na escola sente falta de uma atmosfera afetuosa e positiva se deparando, segundo ela, com a figura de um adulto hostil que não favorecia em momentos de refeição, por exemplo, conversas espontâneas assim como nas classes elevadas, ela conclui mais a frente que certos aspectos da vida familiar das classes pobres tendem a minar a autoconfiança e desencorajando o desenvolvimento intelectual empatando em uma realização escolar inferior por parte das crianças da classe baixa.
Este estudo traz ideias já abordadas em 1931, pelo autor Buhler, que já abordava o tema de forma similar. Patto afirma que é impressiona o fato desses pesquisadores não perceberem que a própria precariedade dos instrumentos de avaliação e de observação podem ser os responsáveis pelos resultados negativos, ela aborda que não lhes ocorreram que, com um pesquisador a mesa de refeições o comportamento das classes podem sofrer alterações com os mais ricos comportando-se da maneira que é socialmente valorizada, em contrapartida, mais inibida os mais pobres podem agir sem essa preocupação.
Partindo de estudos como esses surgem então ás chamadas Práticas de Educação Compensatórias, que supostamente reverteria ás diferenças ou deficiências culturais e psicológicas de que as classes menos favorecidas seriam portadoras, fazendo renascer a esperança na justiça social, mais uma vez graças ao papel democratizante atribuído a Escola Compensatória.

13 – Observe o Trecho Abaixo:

(...) E a interpretação tida Como verdadeira é a que dissimula e oculta, com maior sutileza, que as divisões sociais são divisões de classes o que equivale a afirmar sua condição ideológica, aqui entendida como: Um conjunto lógico sistemático e coerente de representações (Ideias e Valores) e de normas ou regras (De Conduta)... Cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais sem jamais atribuir tais diferenças a divisão da sociedade em classes “Chauí (...), Patto Pag 51”.

Porque se podem dizer que as Teorias Psicológicas e Sociológicas do Século Possuem Caráter Ideológico?

Uma vez que as teorias Psicológicas e Sociológicas, apresentadas nesse primeiro capítulo do Livro, não conseguiram, na sua condição de ciência, identificar causas e motivos que efetivamente pudessem elucidar, bem como ajudar a minimizar os efeitos do claro desnível de aprendizagem escolar nas diferentes classes sociais, podemos sugerir que os diagnósticos emitidos por elas poderiam estar atendendo a uma necessidade de explicação do problema que atendesse aos interesses daquela sociedade, herdeira da Revolução Burguesa, que a partir do século XVIII foi porta voz do sonho humano de um mundo igualitário fraterno e livre, portanto fazia-se necessário justificar o desnível escolar entre pobres e ricos sem que a as mesmas jamais pudessem ser associadas ás diferenças sociais e a divisão da sociedade em classes, a ideia de meritocracia, isto é do sucesso a partir do esforço individual também precisava ser mantida para dar um caráter de normalidade as gritantes diferenças no aprendizado, impedindo assim, através da responsabilização da própria classe pobre pelos seus fracassos, a ocorrência de revoltas e motins. Tendo, portanto, como base o conceito de ideologia sob o viés trabalhado em sala, em que a realidade dos fatos é dissimuladamente omitida sendo oferecido em troca um conjunto lógico sistemático e coerente de representações cujo objetivo é dar aos membros de uma sociedade uma explicação racional para as diferenças sociais, (EDUCACIONAIS), políticas e culturais, podemos, sim, afirmar, com certa segurança o caráter ideológico com que as Teorias Psicológicas e Sociológicas se deixaram utilizar no contexto exposto no livro.


Alan Cardoso

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Fichamento da Resenha do Professor Manoel Salgado (Teoria/UFRJ) ao livro: REVEL, Jacques (org.). Jogos de Escala: a experiência da microanálise. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998.

O documento tem início, Pág. 217, ressaltando o protagonismo Francês no que diz respeito ao esforço de rever discutir e avaliar os parâmetros da pesquisa histórica, diz o texto: “A produção historiográfica francesa é particularmente rica de balanços e avaliações sobre a produção em nossa disciplina como parte de um esforço sistemático para rever e discutir os parâmetros da pesquisa histórica”. “E, ainda na mesma página o autor afirma que pensar sua própria história é importante e explica:” Pensar sua própria história pode assim significar um exercício de legitimação para uma comunidade de profissionais, cuja identidade encontra-se fortemente assentada e construída a partir de lugares socialmente definidos de produção desse conhecimento, com suas regras próprias de consagração.
Mais á frente, também na página 217, podemos observar que o autor propõe que Pensar sua própria história pode ainda atender a necessidade de contínuas reflexões e de contemplação de demandas sociais: “Pensar sua própria história” Pode também responder às exigências contínuas de uma reflexão sistemática sobre os métodos e o lugar da teoria na produção do conhecimento histórico como forma de responder satisfatoriamente aos desafios, tanto da pesquisa histórica em sentido restrito, quanto das demandas sociais postas pela contemporaneidade das sociedades altamente industrializadas.
Aqui o autor destaca a importância do trabalho de Jacques Revel “Historiador Francês” além de sua atuação na Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais. O trabalho organizado por Jacques Revel “Jogos de Escala” parece compartilhar desta tradição, assim como contribui para legitimar um viés da pesquisa histórica, hoje com largos espaços de reconhecimento nos seminários da “École des Hautes Études en Sciences Sociales”, onde alguns dos participantes da obra coletiva dirigem seminários de pesquisa, ainda que seus começos estejam associados à historiografia italiana e a nomes como o do historiador Carlo Ginzburg e Giovanni Levi.
Manoel Salgado Guimarães, na página 218, afirma que o Livro de Ravel, Jogos de Escalas, entre outras coisas, traça um rico painel dos problemas envolvendo a micro-história: Resultado das discussões levadas a cabo na própria École, propondo uma reflexão em torno da relação Antropologia e História, o livro “Jogos de Escalas” traça um rico painel dos problemas envolvendo a micro-história, permitindo ao seu leitor um primeiro contato com o universo de questões subjacentes a esta modalidade da pesquisa histórica, situando seu desenvolvimento num quadro historiográfico propriamente dito, assim como sublinhando tradições filosóficas a que este tipo de procedimento, implícito no micro-história, se reporta.
Ainda na página 218, Salgado afirma que dentro do contexto exposto anteriormente se pode se observar à reedição do debate entre a Antropologia e a História, protagonizado por Lévi Strauss e Braudel, desta vez, segundo ele, com a “vitória” do olhar antropológico na pesquisa histórica: Na verdade, assistimos à reedição de um velho debate entre a Antropologia e a História, inaugurado de forma exemplar com Lévi Strauss e Braudel, ainda nos finais dos anos 50, mas que evidentemente se reveste agora de características totalmente diversas, consagrando definitivamente a vitória de um certo olhar antropológico na pesquisa histórica.
A ideia de protagonismo da Antropologia sobre á micro-história também é defendida pelo historiador italiano Edoardo Grendi na página 218, em artigo para o livro, afirma que: abordagem micro-histórica estaria indelevelmente marcada pelo signo da antropologia na medida em que educou seu olhar para ver o passado a partir de uma perspectiva de estranhamento, vendo-o como efetivamente uma terra estrangeira, numa formulação que sugere o título da obra de David Lowenthal, The Past is a foreign country (O passado é um país estrangeiro).

O autor localiza o ano de 1989 como um ano simbolicamente marcado por eventos de profundas significações para a pesquisa histórica (...), comenta ainda que no referido ano (1989), a tradição hegemônica herdada pela escola doa Annales sofre profundas críticas (...). E Conclui: É neste quadro de crítica da tradição herdada que a micro-história emerge, apontando novas possibilidades para o trabalho do historiador, que ainda reafirmando a história como social, procura sofisticar e redimensionar a pesquisa a partir de procedimentos que questionam as antigas concepções da história social.

Na página 2019 o autor afirma que a historiografia francesa responde ao Giro Linguístico “linguistic turn” com o “tournant critique” Giro Crítico, e aponta que o reconhecimento e legitimação proporcionados à micro-história integram este movimento mais amplo de repensar os caminhos da pesquisa histórica. Aqui o autor traz novamente a posição de Edoardo Grendi, sugerindo que o mesmo colabora no sentido: de compreender a prática do micro-história como particular ao quadro intelectual da historiografia italiana, representando uma via italiana de uma história social mais elaborada uma espécie de alargamento de horizontes para o trabalho do historiador.
Salgado informa que a resposta para a pergunta, De onde teriam os historiadores italianos buscando suas sugestões para o projeto de uma reescritura da história liberta das hierarquias e definições de uma história feita à maneira tradicional, pode está no artigo: artigo de Paul-André Rosental, “Construir o macro pelo micro”: Frederik Barth e a microstoria. O autor sublinha as possíveis sugestões contidas no trabalho do antropólogo norueguês e que estimularam as reflexões dos historiadores italianos, Ao valorizar o conjunto de variantes comportamentais, Barth aponta para a importância dos contextos decisórios que põem em relação atores sociais num jogo relacional complexo (...). Esta sensibilidade parece marcar profundamente os micro-historiadores.
Na página 220 o autor continua... Ainda a partir das sugestões do antropólogo norueguês, segundo o artigo de Rosental, os historiadores italianos do micro-história incorporaram uma certa dimensão de incerteza e imprevisibilidade presentes nas ações humanas e necessariamente consideradas como parte da análise histórica. O autor considera central o fato de que: A micro-história se coloca em frontal oposição à perspectiva das análises macro-históricas, que situavam a possibilidade de explicação dos fenômenos históricos a partir da localização de causas situadas num plano macroestrutural... E conclui... Ataque frontal a um dos pressupostos mais caros da história social francesa à maneira dos Annales (...). Afirma ainda, não se trata apenas de uma mera diferença de escala tomada para a análise dos fenômenos históricos, mas um redimensionamento de objetos e questões que põem em dúvida as certezas estabelecidas pela história social de corte marcadamente macroestrutural. Mais a frente ainda na página 220 o autor cita Bernard Lepetit e seu texto “Sobre a escala na história”, no livro organizado por Revel, onde afirma a necessidade imperiosa da escolha da escala como condição mesma para o conhecimento que se pretende.
Na página 221 é exposto que a escolha de uma escala engendra objetos que não existem como entes substantivados no mundo. Desta maneira, Lepetit formula uma das críticas mais contundentes a um realismo simplista do trabalho do historiador, assegurado pelo registro deste real em fontes consultáveis. Ainda na página 221 do texto do Manoel Salgado cita o autor: Marc Abélès, definindo seu trabalho: O Racionalismo Posto à Prova da Análise como: Particularmente interessante e estimulante, Partindo de rápidas considerações a respeito do lugar das análises microscópicas entre os antropólogos, que por vezes chegam mesmo a fetichizar o micro como sendo o lugar do desvendamento pleno dos fenômenos sociais. Aqui é chamado a atenção para o fato de que: O debate em torno da micro-história obriga-nos a repensar os rígidos cânones de uma interpretação cartesiana da racionalidade e dos procedimentos decorrentes desta forma particular de racionalidade. Mais a frete é chamada a atenção para o texto: Escala, Pertinência, Configuração de Maurizio Gribaudi que, segundo o autor, (...). Constrói a partir de uma crítica à perspectiva de história social apontando para os riscos de se tomar os documentos com o sentido de uma evidência imediata, vendo neles a inscrição de um real dado à observação e análise dos historiadores, ficando assim, prisioneiro das formas passadas de inscrição dos fenômenos que estuda. Não sendo capaz de repensar estas inscrições historicamente a partir de uma multiplicidade e da não linearidade dos fenômenos que estuda.

Na página 222 o autor informa que a impossibilidade da formulação de leis gerais para o desenvolvimento histórico a partir da observação de um fenômeno através da História é outro elemento central sublinhado como uma das marcas da micro-história praticada pelos autores do livro. O exemplo retomado por Gribaudi, a partir das sugestões de Giovanni Levi, procura mostrar como o advento do Estado Moderno, quando tratado a partir de uma perspectiva micro, mostra uma pluralidade de possibilidades e realizações históricas, diversas entre si. Mais a frente ainda na página 222 o autor diz que: O conceito de contexto adquire então uma centralidade importante, ainda que evidentemente não seja percebido da mesma forma que a história social de recorte macro o trata e conclui... A narrativa histórica não é apenas o relato do efetivamente acontecido porque necessário à razão histórica, mas também o relato das alternativas possíveis postas num jogo a ser decidido pelos atores históricos em questão.
Aqui Salgado afirma: Como não deixar de sentir aqui as marcas do trabalho: Processo e experiência: indivíduos, grupos e identidades em Turim no século XVII de Simona Cerutti, inspirado na obra do autor: E.P.Thompson, Seguindo a maneira sugerida por Thompson, a análise do historiador deveria cruzar elementos processuais de análise com trajetórias individuais, o que a autora procurou empreender em sua análise dos grupos profissionais na cidade de Turim, já na página 223 o autor afirma que inspirada em escritores ingleses Simona Cerutti, radicaliza sua análise no sentido de perceber, através do estudo das trajetórias individuais, as respostas históricas formuladas pelos protagonistas em ação, procedimento este que, segundo a autora, implicou numa reinterpretação do próprio processo geral, adotada, segundo o autor por: Sabina Loriga. No artigo intitulado “A biografia como problema” onde a aposta biográfica pode se constituir em importante viés para a interpretação dos fenômenos macro, a partir de uma perspectiva que obriga a uma reinterpretação das tradições herdadas de análise.

Nesse trecho do texto o autor trata da questão das biografias, segundo ele elas ficaram: longo tempo expulsas do campo da pesquisa histórica, todavia, Com o deslocamento do foco de análise das estruturas macro-sociais para as experiências vividas pelos atores históricos, à trajetória biográfica pode assim encontrar um lugar legítimo na reflexão dos historiadores, ele ainda destaca que: O olhar de Sabina Loriga busca recuperar na pesquisa biográfica sua dimensão heurística para o conhecimento da história.

Ao Final Manoel Salgado Guimarães conclui que: “Jogos de escalas. A experiência da microanálise” é leitura importante para compreendermos os caminhos da produção em nosso campo de conhecimento e, combinando uma reflexão teórica sofisticada à pesquisa documental, sublinha a importância desta dupla dimensão do trabalho do historiador, podendo também contribuir para uma crítica contundente dos diferentes matizes positivistas a que nossa disciplina esteve sujeita.


Fichamento Alan Cardosos
Graduando Curso de História
Universidade Federal da Bahia

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Fichamento do cap. "Sobre a micro-história", de Giovani Levi, p. 133-161, do livro organizado por P. Burke (1992), A Escrita da História: Novas perspectivas

Pág. 133. O autor inicia informando que “Não é por acaso que o debate sobre à micro-história não tem sido baseado em textos ou em manifestos teóricos”, e atribui a isso o fato de, segundo ele “A micro-história ser essencialmente um a prática historiográfica em que suas referências teóricas são variadas e”, em certo sentido, ecléticas.
Afirma ainda que “Muitos historiadores que aderem à micro-história têm-se envolvido em contínuos intercâmbios com as ciências sociais e estabelecido teorias historiográficas sem, contudo, sentir qualquer necessidade de se referirem a qualquer sistema coerente de conceitos ou princípios próprios”.
Pág.: 134: Aqui o autor define a micro-história como um “trabalho experimental”, não tem um corpo de ortodoxia estabelecida para dele se servir. Mais adiante ele afirma que: A ampla diversidade de material produzido demonstra claramente o quanto é limitada a variedade de elementos comuns. Ainda na pág. 134 ele atribui “algumas características distintas na micro-história que derivam dos anos 70, afirmando que “Não havia nada incomum nisso, pois os anos 70 e 80 foram anos de crise para a crença otimista prevalecente naquela época”, segundo ele “muitas das esperanças, incluindo do domínio da historiografia, estavam se comprovando inadequadas diante das imprevisíveis consequências dos acontecimentos políticos e das realidades sociais, longe de estar em conformidade com os modelos propostos pelos grandes sistemas marxista”. E conclui, “Ainda estamos vivendo as fases dramáticas (...) deste processo e os historiadores têm sido forçados a colocar novas questões sobre suas próprias metodologias e interpretações, pois, Os prognósticos de comportamento social estavam se com provando demonstravelmente errôneos e esta falência dos sistemas e paradigmas existentes requeria não tanto a construção de um a nova teoria social geral, mas um a completa revisão dos instrumentos de pesquisa atuais”.
Pág.: 135: Aqui o autor pontua que “Havia várias reações possíveis para a crise, e a micro-história em si nada mais é que uma gama de possíveis respostas que enfatizam a redefinição de conceitos e uma análise aprofundada dos instrumentos e métodos existentes”. O autor afirma também que surgiram ao mesmo tempo outras soluções consideradas por ele mais drásticas como: “o neo-idealismo ou mesmo para o retorno a uma filosofia repleta de irracionalidade.” O texto afirma que: “Os historiadores que aderiram à micro-história, em geral tinham suas raízes no marxismo (...) e possuíam pouca inclinação para a metafísica e que, apesar do fato dessas características estarem manifestadas (...) acredita que serviram para ancorar firmemente esses historiadores à ideia de que a pesquisa histórica não é um a atividade puramente retórica e estética”.
O trabalho da micro-história sempre se centralizado na busca de um a descrição realista do comportamento humano reconhece sua relativa liberdade, mas não fora, das limitações dos sistemas normativos prescritivos e opressivos. Assim, toda ação social é vista como o resultado de um a constante negociação, manipulação, escolhas e decisões do indiví¬duo, diante de uma realidade normativa que, (...) oferece muitas possibilidades de interpretações e liberdades pessoais. A questão é, portanto, com o definir as margens (...) da liberdade garantida a um indivíduo pelas brechas e contradições dos sistemas normativos que o governam.

Pág., 136: Aqui o autor localiza o papel da micro-história: “Assim, a micro-história possuía uma posição muito específica dentro da chamada nova história. Era mais importante refutar o relativismo, o irracionalismo e a redução do trabalho do historiador a um a atividade puramente retórica que interprete os textos e não os próprios acontecimentos. Mais adiante define: A micro-história como uma prática é essencialmente baseada na redução da escala da observação, em um a análise microscópica e em um estudo intensivo do material documental”.
Pág., 137 e 138: “Para a micro-história, a redução da escala é um procedimento analítico, que pode ser aplicado em qualquer lugar, independentemente das dimensões do objeto analisado”. O autor afirma que “Deseja (...) encarar mais de perto o problema, pois a ideia da escala ser um objeto de estudo é um a fonte de má interpretação para muitas pessoas” e para ilustrar cita o que ele chama de investida contra a história do autor Franco Ventura: “Estudar as crônicas de uma aldeia (...), é algo completamente sem sentido. O dever do historiador é estudar as origens daquelas ideias que moldam nossas vidas, não escrever novelas. É importante situar firmemente no centro de nossos estudos as raízes de nossa vida moderna.”. E conclui citando Geertz: Seria possível replicar isso, parafraseando Geertz: “Os historiadores não estudam as aldeias, eles estudam em aldeias”. Aqui o autor afirma que “a descrição de combinações de escala diferentes, (...) é importante no fenômeno social, ainda que apenas com o um meio de atribuir dimensões internas ao objeto de análise”. Entretanto, afirma ele, é até banal afirmar que as dimensões particulares do objeto de análise não refletem necessariamente a escala distintiva do problema colocado”.
Pág., 139, 140 e 141: O princípio unificador de toda pesquisa micro-histórica é a crença em que a observação microscópica revelará fatores previamente não observados. Alguns exemplos desse procedimento intensivo são:
O estudo das estratégias matrimoniais consanguíneas em um a pequena aldeia na região para revelar o universo mental dos camponeses do século dezessete.
O estudo das transações de terra de um a aldeia para descobrir as regras sociais do intercâmbio comercial que operam em um mercado.
Examinemos o último exemplo (...), a respeito á comercialização da terra é uma crença amplamente considerada que a precocidade e a frequência das transações de terra, ocorridas em muitos países (...), indicam a presença precoce do capitalismo e do individualismo. Dois elementos evitaram uma avaliação mais adequada deste fenômeno. Os historiadores foram induzidos ao erro por sua própria mentalidade mercantil moderna, que os levou a interpretar as quantidades maciças de transações monetárias de terra que encontraram em documentos (...) como evidência da existência de um mercado autorregulador. Curiosamente, ninguém observou ou deu importância ao fato de que os preços envolvidos eram extremamente variáveis, mesmo considerando-se as qualidades diferentes da terra. Apenas reduzindo-se a escala de observação a uma área extremamente localizada foi possível observar que o preço da terra variava segundo o relacionamento de parentesco entre as partes contratuais. Também foi possível mostrar que eram imputados preços variáveis a terras de igual dimensão e qualidade desse modo, tornou-se possível estabelecer que se estivesse observando um mercado complexo, em que os relacionamentos sociais e pessoais desempenhavam um papel determinante no estabelecimento do nível de preço, do prazo de pagamento e das formas pelas quais a terra trocava de mãos.
Esse exemplo parece-me particularmente revelador da maneira como a micro-história procede de modo geral. Os fenômenos previamente considerados como bastante descritos e compreendidos assumem significados completamente novos, quando se altera a escala de observação.
Pág., 141 e 142: O autor aqui afirma que A micro-história tem suas raízes no interior do círculo de pesquisa histórica, mas que existem muitas características que demonstram ligações entre a história à antropologia, “particularmente aquela “descrição densa” que Clifford Geertz encara com o a perspectiva adequada do trabalho antropológico”, mais a frente ele assim classifica o trabalho do etnólogo: Os escritos antropológicos são trabalhos imaginativos em que a habilidade do autor é medida por sua capacidade de nos colocar em contato com as vidas dos forasteiros e de fixar os acontecimentos ou o discurso social de forma a nos permitir examiná-los claramente. O poder do intérprete tornou-se, portanto infinito, imensurável, não suscetível de falsificação, e ainda: Qual é, então, o papel da teoria? Geertz nega que a abordagem interpretativa deva renunciar explicitamente às formulações teóricas. Entretanto, ele imediatamente prossegue dizendo “que os termos em que tais formulações podem ser moldadas são, se não inteiramente inexistentes, muito próximos disso”.

Pág., 143: Na etnografia, a função da teoria é promover um vocabulário, onde o que a ação simbólica tem a dizer sobre si mesmo, ou seja, sobre o papel da cultura na vida humana possa ser expresso. Assim, a teoria é “um repertório de conceitos e sistemas de conceitos muito gerais, elaborados no interior da academia”... Que se agita no corpo de uma etnografia de descrição densa, na esperança de transformar ocorrências simples em cientificamente eloquentes. Por isso, os conceitos são instrumentos frios tomados da bagagem da ciência acadêmica, eles são úteis na interpretação, mas é apenas nessa função que adquirem realidade concreta e especificidade.

Pág., 144: O autor fala sobre o papel da teoria “A teoria só tem um pequeno papel, com o subalterno, para desempenhar, em relação ao papel muito maior do intérprete, e ainda, “a única importância da teoria geral é uma parte da construção de um repertório sempre em expansão do material densamente descrito, tornado inteligível através de sua contextualização, que servirá para ampliar o universo do discurso humano”. Nesta página o autor fala ainda sobre as semelhanças entre antropologia interpretativa e a micro-história, mais destaca duas diferenças importantes, um a derivada do uso tradicionalmente mais intenso da pesquisa intensiva em pequena escala e a outra derivada de um aspecto que definiu com o um a espécie de limitação auto-imposta, Essas duas diferenças dizem respeito a trabalhos ha prática da racionalidade humana e à legitimidade de se fazerem generalizações nas ciências sociais. A antropologia interpretativa presume a racionalidade como um ponto de partida, como algo impossível de ser descrito fora da ação humana Entretanto, Geertz extrai dessas considerações conclusões extremas. A única coisa que podemos fazer é primeiro tentar procurar conhecer e depois tornar explícitos, através da descrição densa, os prováveis significados das ações. Aqueles que concordam com essa abordagem não acreditam que seja necessário questionar as limitações, as possibilidades e a mensurabilidade da própria racionalidade.

Pág., 145: Pode-se prosseguir e afirmar que a concepção de Geertz é revelada por algumas características que ele extraiu de Heidegger em particular a rejeição da possibilidade de explicação total e a tentativa de construir um a hermenêutica da escuta; ou seja, escutar a linguagem poética, em outras palavras, a linguagem apreendida no esforço de inventar novos significados, Geertz, com o Heidegger, considera esses modelos simbólicos na linguagem (...) da poesia, que representa a mais alta expressão da experiência humana da realidade. Geertz especificamente se refere à linguagem do mito, do ritual e da arte: “Para compor nossas mentes devemos saber como nos sentimos a respeito das coisas, e para saber como nos sentimos a respeito das coisas precisam os das imagens públicas do sentimento que apenas o ritual, o mito e a arte podem proporcionar”. Essa opinião é consistente com a teoria anti-hegeliana de Heidegger, de que o conhecimento do indivíduo não deve dissolver a existência de outros em si mesmo, mas antes que a função adequada do pensamento como um “classificador hermenêutico” é permitir que as outras pessoas permanecessem sendo as outras, o autor acredita assim que “que esse elo heideggeriano é essencial para um entendimento, tanto da força e da sutileza das interpretações, quanto da relativa debilidade das explicações dos mundos na antropologia interpretativa de Geertz”.

Pag., 146: O autor inicia falado sobre as peculiaridades das diferentes culturas: Sem dúvida deve ser aceito que, de um ponto de vista biológico, todos os homens possuem intelectos substancialmente iguais, mas esse intelecto é completamente dependente dos recursos culturais para seu funcionamento. Essa ênfase na cultura permite que se evite qualquer teoria da superioridade do homem civilizado sobre o homem primitivo. Também evita que se considere a ideia de que a cultura surge em alguns pontos ordenados nas fases revolucionárias. A cultura, definida com o a capacidade de pensamento simbólico, é parte da verdadeira natureza do homem. A cultura não é suplementar ao pensamento humano, mas seu ingrediente intrínseco. Não obstante, segundo Geertz, o problema a de se evitar o relativismo cultural “absoluto” assim tornando possível a comparação entre as culturas, não pode ser resolvido e não deve nem mesmo ser mencionado.

Pág., 147: Nesse trecho o autor pontua que: De fato, os seres humanos neces¬sitam de constantes estímulos afetivos e intelectuais, mas, ao mesmo tempo, esses mesmos estímulos requerem um controle cultural contínuo que os organize em um a ordem significativa e inteligível. No primeiro momento, o pensamento é organizado de acordo com as estruturas simbólicas públicas à mão e somente depois disso, ele se torna privado. Mas Geertz não pode ir além dessas considerações, pois um a investigação m ais específica no funcionamento da razão iria inevitavelmente introduzir implicações ameaçadoras de um a hierarquização de culturas.
Geertz defende o papel desempenhado pelo relativismo cultural na destruição do etnocentrismo, (...). “E encara todo o anti-relativismo como uma tendência perigosa para considerar algumas culturas como hierarquicamente superiores a outras”.

Pág., 148: Geertz não se declara relativista, mas antes um anti-relativista, no sentido de que estamos em um estágio, talvez transitório, em que apenas a descrição densa e a elaboração de um repertório de significados são possíveis, (...), Entretanto, afirma o autor não parece que sua redução de todo argumento racionalista a um renascimento potencial de conceitos hierárquicos de cultura seja defensável; e de fato é difícil considerar Gellner, Lévi-Strauss, Needham, Winch, Horton e Sperber, a quem Geertz se refere, todos com os expoentes de um a ordenação hierárquica de culturas. Por que os processos cognitivos. ou os universais cognitivos conduziriam apenas a um a conclusão etnocêntrica?

Pág., 149: Aqui o autor busca estabelecer as diferenças entre a micro-história e a antropologia interpretativa: “Parece-me que um a das principais diferenças de perspectiva entre a micro-história e a antropologia interpretativa é que a última enxerga um significado homogêneo nos sinais e símbolos públicos; enquanto a micro-história busca defini-los e medi-los com referência à multiplicidade das representações sociais que eles produzem”. (...), mais a frente continua: Tanto a quantidade de informação necessária para se organizar e definir a cultura, quanto à quantidade de informação necessária à ação, são historicamente mutáveis e socialmente variáveis. É esse, portanto, o problema que necessita ser enfrentado, um a vez que o arcabouço das estruturas públicas, simbólicas, é uma abstração. Pois, no contexto de condições sociais diferentes, essas estruturas simbólicas produzem um à multiplicidade de representações fragmentadas e diferenciadas; e será essas o objeto do nosso estudo.

Pág., 150: Aqui o autor trabalha com o autor Gertz numa perspectiva de crítica: Parece-me, por isso, não ser suficiente conduzir um a discussão geral do funcionamento simbólico, tendo-se como base uma definição geertziana de cultura com o um a busca infinita de informação. Acredito ser necessário tentar medir e formalizar os mecanismos de racionalidade limitada, uma racionalidade limitada em que a localização de seus limites varia com as várias formas de acesso à informação para permitir um entendimento das diferenças existentes nas culturas dos indivíduos, grupos e sociedades em várias épocas e locais. Mais a frente conclui: A qualidade um tanto alusiva do importante, mas incompleto sistema de Geertz negligencia esse objetivo.
E ainda: Existe prova (...), de que o repertório das descrições densas não tem um objetivo comparativo, mas permanece simplesmente um repertório do qual se extraem casos para esclarecimento, segundo regras não especificadas. Consequentemente, a interpretação tem, com frequência, permanecida em aberto, imponderável e limitada.

Pág., 150 e 151: Para exemplificar o tópico acima o auto cita o Grande massacre dos gatos: Alguns exemplos dessa imponderabilidade aparecem mais nos geertzianos do que no próprio Geertz. Um exemplo clássico parece-me ser o Great Cat Massacre, de autoria de Robert Darnton.
Dessa maneira, um repertório de conceitos é introduzido em um repertório de acontecimentos interpretados, na esperança de que eles operem juntos para que os acontecimentos simples possam se tornar cientificamente eloquentes e, opostamente, que conclusões de longo alcance possam ser extraídas da densidade de fatos simples. Esse método com frequência resulta em um a história cultural sem análise social, ou em um a análise social extremamente estereotipada extraída de um a história cultural intensivamente investigada.

Pág., 152: Aqui o autor fala sobre pesquisa histórica, e afirma que a mesma não tem a ver apenas com a comunicação dos resultados em um livro. “A micro-história dirigiu especificamente o problema da comunicação e tem estado bastante consciente de que a pesquisa histórica não tem a ver apenas com a comunicação dos resultados em um livro”.
Em geral, os problemas de prova e demonstração em história, por meio do relato de momentos concretos, têm uma relação próxima com as técnicas de exposição. Não é simplesmente um problema de retórica, pois o significado do trabalho histórico não pode ser reduzido à retórica, mas especificamente um problema de comunicação com o leitor, que nunca é um a tabula rasa, e por isso sempre coloca um problema de recepção.

Pág., 153: Nesse memento o autor fala das duas principais funções da narrativa: a função particular da narrativa pode ser resumida em duas características:
A primeira é a tentativa de demonstrar, através de um relato de fatos sólidos, o verdadeiro funcionamento de alguns aspectos da sociedade que seriam distorcidos pela generalização e pela formalização quantitativa usadas independentemente.

A segunda característica é aquela de incorporar ao corpo principal da narrativa os procedimentos da pesquisa em si, as limitações documentais, as técnicas de persuasão e as construções interpretativas. E em seguida fala sobre a construção do processo: O processo de pesquisa é explicitamente descrito e as limitações da evidência documental, a formulação de hipóteses e as linhas de pensamento seguidas não estão m ais escondidas dos olhos do não iniciado. O leitor é envolvido em um a espécie de diálogo e participa de todo o processo de construção do argumento histórico.

Pág., 154: A abordagem micro-histórica dedica-se ao problema de como obtemos acesso ao conhecimento do passado, através de vários indícios, sinais e sintomas. Esse é um procedimento que toma o particular com o seu ponto de partida e prossegue, identificando seu significado à luz de seu próprio contexto específico, o autor fala ainda sobre o funcionalismo: A teoria de contexto m ais coerente é a funcionalista, cujo aspecto mais característico talvez seja aquele de se focalizar o contexto para explicar o comportamento social. Para o funcionalismo, não são tanto as próprias causas do comportamento que constituem os objetos de análise, m as antes a normalização de um a forma de comportamento em um sistema coerente que explica aquele comportamento, suas funções e o modo como ele opera.

Pág., 155: Aqui o autor defende novamente a redução na escala: A redução da escala é um a operação experimental (...), porque ele presume que as delineações do contexto e sua coerência são aparentes, e revela aquelas contradições que só aparecem, quando a escala de referência é alterada.

Pág., 156: Outro conceito de contextualização é aquele que entende o contexto cultural com o um processo de se colocar um a ideia dentro dos limites prescritos pelas linguagens disponíveis, Esta teoria encara o contexto com o sendo ditado pela linguagem e pelos idiomas disponíveis e utilizados por um grupo particular de pessoas em um a situação particular para organizar, por exemplo, suas lutas de poder. Essa escola de pensamento tem tido grande influência sobre a teoria social em si e tem iniciado tantas discussões que parece supérfluo voltar a expor seus argumentos. Entretanto, a perspectiva da micro-história é, mais um a vez, diferente, porque uma importância fundamental é dada às atividades, às formas de comportamento e às instituições que proporcionam o arcabouço dentro do qual os idiomas podem ser adequadamente entendidos, e que permitem um a discussão significativa daqueles conceitos e convicções que de outra maneira permaneceriam hermeticamente fechados em si mesmos, sem um a adequada referência à sociedade.

Pág., 157 e 158: A micro-história tem demonstrado a falibilidade e a incoerência dos contextos sociais, com o convencionalmente definidos: observe-se, por exemplo, as críticas feitas por M. G ribaudi33 em relação à delimitação das vizinhanças da classe trabalhadora. Gribaudi demonstra que as solidariedades podem estar baseadas, não tanto na similaridade da posição social, mas antes na similaridade da posição nos sistemas de relacionamentos. Essas observações colocam problemas adicionais, o que é necessário considerar brevemente. Em primeiro lugar, o problema do contraste entre o conhecimento individualizado e o generalizado - debate recorrente entre os historiadores sociais. A micro-história tenta não sacrificar o conhecimento dos elementos individuais a um à generalização mais ampla, e de fato acentua as vidas e os acontecimentos individuais. M as, ao mesmo tempo, tenta não rejeitar todas as formas de abstração, pois fatos insignificantes e casos individuais podem servir para revelar um fenômeno mais geral. O problema é m ais aquele de com o podem os elaborar um paradigma que dependa do conhecimento do particular, embora não rejeitando a descrição formal e o conhecimento científico do próprio particular.

Pág., 159: Como esta tendência a identificar a formalização com a quantificação há muito tempo tem sido predominante, a história ficou paradoxalmente atrás das outras ciências sociais. Parece-me que a micro-história se movimenta mais firmemente em direção aos ramos não quantitativos da matemática, para apresentar representações mais realistas e menos mecanicistas, ampliando assim o campo da indeterminação, sem necessariamente rejeitar as elaborações formalizadas.
A o se decidir trabalhar com um quadro diferente, m ais com plexo e realista, da racionalidade de atores sociais e ao se considerar a natureza fundamentalmente entrelaçada dos fenômenos sociais, torna-se de imediato necessário desenvolver e utilizar novos instrumentos formais de abstração. O campo permanece bem aberto para a exploração dos historiadores.

Pág., 160: Aqui o autor define as características da Micro-história: São as questões e posições comuns que caracterizam a micro-história: a redução da escala, o debate sobre a racionalidade, a pequena indicação com o um paradigma científico, o papel do particular, a atenção à capacidade receptiva e à narrativa, uma definição específica do contexto e a rejeição do relativismo. Mas a frente o autor traz uma definição de Ravel a micro-história: Revel define a micro-história com o a tentativa de estudar o social, não com o um objeto investido de propriedades inerentes, mas com o um conjunto de inter-relacionamentos deslocados existentes entre configurações constantemente em adaptação. E continua: A micro-história tentou construir um a conceituação mais fluida, um a classificação menos prejudicial do que constitui o social e o cultural, e um arcabouço de análise que rejeita simplificações, hipóteses dualistas, polarizações, tipologias rígidas e a busca de características típicas.
Com referência à definição de Revel, o autor salientou mais claramente o impulso anti-relativista da micro-história e as aspirações de formalização que a caracterizam, que em sua opinião.
Pág., 161: Ao fim ele afirma: Não sei se esta apresentação da micro-história é confiável. Gostaria de apresentar, em termos mais ou menos bem caracterizados, um grupo de pessoas que na verdade tem se envolvido em muitos e variados debates na história social italiana nos anos 70 e 80. Talvez eu devesse ter explicado, de modo mais amplo, as várias opiniões diferentes envolvidas e as referências a um debate histórico que se estende muito além do grupo italiano. Devo, por isso, esclarecer as coisas informando o leitor de que meus princípios diretivos são fortemente pessoais; este é muito mais um auto-retrato que um retrato de grupo. Eu não poderia ter feito de outra forma e por isso advirto o leitor ser este o caso.















































Fichamento e Organização: Alan Cardoso Ferreira Santos

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Dia da Conciencia Negra, Mais Necessário do Que Sempre

Em função da "passagem" do dia da Consciência Negra, no ultimo dia 20/11/17, data que se recorda Zumbi, o líder do maior quilombo Brasileiro o do Palmares e que foi escolhida, pelo movimento Negro para servir de reflexão sobre a situação atual e histórica das populações Negras no Brasil, foi possível constatar o numero de posicionamentos contrários a data, comentários presenciais e em Rede Sociais que sugeriam uma reflexão “mais ampla” a tal consciência humana, inclusive, pasmem, pessoas negras. Gente, confesso que essas manifestações mim surpreenderam, é só olhar em volta, observar... Não é possível que diante de uma sociedade cada vez mais segregadora onde os "postos" mais altos da sociedade são claramente ocupados por pessoas brancas que igualmente residem nos melhores bairros e condomínios, usufruem da complacência da justiça e apesar dos avanços ainda são maioria nas universidades, narrativas que claramente indicam retrocesso tenham ressonância. A cada dia vejo que nosso país precisa de historiadores, pessoas que contextualizem e historicizem os problemas sociais e em especial a questão do racismo contra pessoas afrodescendentes, Atitudes como a do “jornalista” Willian Waack, não são isoladas, indicam claramente a confirmação de algo previsto pelo escritor Pernambucano Joaquim Nabuco no Livro “Minha formação”, segundo ele a "escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional". O diplomata Pernambucano estava correto, as chagas da escravidão ainda estão abertas clamando por reparação e reflexão. Até mesmo os Jornais, impregnados de “ideologia” trazem dados estarrecedores sobre a situação de desigualdade do povo negro no Brasil... O Correio da Bahia, neste dia 21 estampa: Negros ganham quase 40% menos do que brancos, dados cedidos pelo IBGE... Fica a questão, diante de fatores concretos, como o informado pelo jornal mencionado onde negros recebem por seus trabalhos quase metade que os brancos onde está a consciência humana?


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Bairro da Paz, Antiga Malvinas Ocupação Resistência e Luta.

Este documento é um Esboço de Proposta de Pesquisa de Conclusão da Disciplina de Introdução ao trabalho Acadêmico Do Curso Noturno de Graduação em História Da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia UFBA.

Abaixo Link do Material em PDF.

https://drive.google.com/file/d/0B6TWeLVvr6jjSEtJb21sVXoxZlE/view?usp=sharing


Alan Cardoso Ferreira Santos
Graduando em Licenciatura em História Pela UFBA.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Comercio As Trocas e o Sistema do Dom Entre os Fenícios.

Trabalho Apresentado em Aula de História Antiga na UFBA (Noturno) 07/08/2017. Apresentação foi baseada nos estudos dos autores:

Marcel Mauss. 1872-1950, escritor, sociólogo e antropólogo francês. Marcel Mauss era sobrinho de Émile Durkheim, A obra: Ensaio Sobre o Dom foi publicada pela primeira vez em 1925. A Obra é reconhecida como a mais antiga e importante sobre a reciprocidade o intercâmbio e a origem antropológica do contrato.
Maria Cristina Kormikiari.
Doutora em ciências, na área de arqueologia pela faculdade de filosofia, letras e ciências humanas da USP. Pós Doutoranda do Museu de Arqueologia e Etnografia da USP.

Fenícios


Chamados Sidônios no Antigo Testamento e de Fenícios pelos Gregos. Os Fenícios estabeleceram-se na costa mediterrânea por volta de 2500 a.C. Este povo era atípico em muitos aspectos, a começar por sua origem praticamente desconhecida. Segundo Heródoto (484 a.C - 430 a.C.), teriam vindo do Oceano Índico, o que contradiz as hipóteses da maioria dos estudiosos modernos, Os documentos assinados pelos próprios fenícios não elucidam essas dúvidas, pois sempre que falavam de si faziam referência somente ao endereço para o qual haviam mudado. No começo de sua história desenvolveram-se sob a influência das culturas suméria, acádia e da vizinha Babilônia.

Localização Geográfica, Rotas Comerciais



Legado

Foram Muitos os Legados deixados por esse povo entre eles podemos citar:
*Alfabeto Fenício:


Acredita-se que o alfabeto grego seja baseado no alfabeto fenício, bem como os alfabetos aramaico, hebraico e arábico, assim como diversos outros.


*Embarcações Fenícia:


O Birreme é um navio fenício considerada uma das melhores embarcações da Antiguidade. Tinha duas ou três fileiras de remos - daí o nome birreme ou trirreme e até 35 metros. Foi copiado por outros povos, que o usaram para dominar a navegação no Mediterrâneo.



Principais Cidades
Ugarit:
Foi uma antiga e cosmopolita cidade portuária, situada na costa mediterrânea do norte da Síria,



Biblos:
situa-se na costa mediterrânica do atual Líbano, a 42 quilômetros de Beirute. É um foco de atração para arqueólogos devido às fases sucessivas de vestígios arqueológicos resultantes de séculos de ocupação humana.


Tiro:
Localizada na costa do mar Mediterrâneo atual Líbano, era uma das mais importantes cidade Estado do território da Fenícia.


Sidon:
Situa-se na costa do mar Mediterrâneo, a cerca quase quarenta quilômetros ao Norte de Tiro.



Cartago
(Norte da África): Cartago foi uma potência do mundo antigo, disputando com Roma o controle do Mar Mediterrâneo. Dessa disputa originaram-se as três Guerras Púnicas, após as quais Cartago foi destruída.




Os Fenícios Comercializavam uma Infinidade de Produtos, Entre Eles Podemos Destacar:
* Azeite de oliva
* Vinho.

Representação de Ânfora, Utilizada Para Armazenamento e Transporte de Vinho e Azeite Fenício.














* Jóias
* Tecidos Tingidos
* Armas
* Cereais
* Vidros.
* Cedro do Líbano
* Marfins.
* Papiro















Artigo da Maria Cristina Kormikiari


Características

Os Fenícios sempre foram conhecidos pela sua habilidade no comércio. Homero em a (Odisséia, XV,vv.415-482), foi um dos primeiros a nos relatar esse espírito de “comerciante nato” dos Fenícios... Ao reproduzir o diálogo entre Odisseu e Eumeu, o porqueiro...

Talvez já tenhas ouvido falar duma ilha de nome Síria, ao norte de Ogígia, do lado onde o sol se esconde [ .. Há duas cidades ali e todo o território esta dividido em duas partes. Sobre as duas reinava meu pai, Ctésio, filho de Ormeno, semelhante aos imortais. Apareceram ali uns FENICIOS, navegadores famosos, gente cúpida; traziam em seu negro barco uma infinidade de quinquilharias. Tínhamos em casa de meu pai uma mulher fenícia, bela, alta, hábil em finos trabalhos; os fenícios astuciosos a iludiram. Quando ela lavava roupa perto do bojudo barco, um deles deitou-se, primeiro, com ela, nos laços do amor, coisa que engana o juízo das mulheres, mesmo das honestas; depois, perguntou-Ihe quem era e donde vinha. Ela prontamente Ihe apontou a casa de meu pai: Prezo-me, disse, de ser de Sidon, rica de bronze, e sou filha de Áribas, dono de rios de dinheiro; raptaram-me, porém, piratas táfios, quando voltava do campo; eles trouxeram-me para aqui e levaram-me a casa deste homem, que pagou bom dinheiro. Tornou-Ihe, então, homem que a possuía ocultamente: Gostarias de voltar conosco para tua casa, rever teu pai e tua mãe e sua alta mansão? Com efeito, ainda vivem e passam por abastados Volveu-lhe a mulher a seguinte resposta: Bem poderia ser, se vos, marinheiros, quisésseis abonar vossa palavra com juramento de levar-me sã e salva a minha casa. [ ] depois de jurarem e solenizarem o juramento, volveu-Ihes a mulher a seguinte resposta: Silencio, agora; que nenhum de vossa tripulação fale comigo quando me encontrar na rua [...] Guardai na memória que vos digo e apressai o escambo das mercadorias Quando, enfim, o barco estiver repleto de viveres, mandai-me um aviso ao solar; eu trarei o ouro que estiver a mao. De bom grado daria ainda outra paga da passagem. É que sou, na mansão, ama do filho do fidalgo, menino assaz vivo [... ] eu traria a bordo e por ele alcançaríeis um preço altíssimo [...]'



Este autor, através desse trecho de sua obra também atribui aos Fenícios a característica de sagazes e espertalhões, fama que acompanhará esse povo ao longo de toda a historiografia Grega e Romana.

Princípio

Os modos e processos de trocas empregados pelos fenícios remontam o período do bronze no Mediterrâneo Oriental, antes inclusive da concentração de cidades semitas na costa da Anatólia, próximo do ano 1200 a.C, anterior portanto à formação do que pesquisadores atualmente denominam, seguindo o termo grego de: Fenícia.

Uso de Moeda

As cidades Fenícias, assim como Cartago, passa boa parte de sua história sem adotar uma economia monetarizada, mesmo mantendo intenso contato com sociedades que já ás utilizavam. Os Fenícios adotariam a moeda no século V a.C e pelos Púnicos, pois, como vimos anteriormente a partir do século VI a.C a historiografia moderna ocidental impôs esses termos, todavia trata-se ainda da fenícia.

Vocação

Segundo a autora os Fenícios utilizaram-se de uma extensa rede de contatos e de um elaborado sistema de trocas para realizar o que chamou de “vocação máxima desse o povo”: O Comércio.

Já a partir do século XI a.C os fenícios empreenderam, através da obtenção do monopólio de matérias primas, uma sólida política comercial, expansionista e de dominação de mercados estrangeiros

O Sistema de Troca Fenício

Constantes Mudanças

Os fenícios sempre foram conhecidos pelos antigos e até mesmo pela historiografia pela sua intensa atividade comercial, entretanto segundo a autora, O período dessas intensas atividades comerciais foi “relativamente pouco” sendo possível delimitá-lo entre os séculos XI e VII a.C, quatro séculos portanto, período onde ocorreram diversas mudanças na: mão de obra, nos quadros sociais, nos circuitos nos quais eles agiam e nos objetos comercializados.

Período Pré-Colonial

Os séculos de XI a VIII a.C são tratados pela historiografia como período pré-colonial Fenício, Período, segundo o texto de visitas a territórios novos com o intuito de realizar colonização em momento posterior.
O rodapé do texto observa que de acordo com estudos até agora desenvolvidos não há evidencias de que cidades fenícias comercialmente ativas como Tiro, tivessem o objetivo de estabelecer colônias nos locais de contato comercial no ocidente do mediterrâneo.
Invasões e seus Impactos

O profeta Ezequiel (XXVII, 12-24) narra com detalhes as abundantes localidade s que Tiro, cidade fenícia negociava... O Texto bíblico que tem o sugestivo título: CÂNTICO FÚNEBRE SOBRE A QUEDA DE TIRO, narra o circuito comercial dessa cidade que manteve esse tipo de relação com inúmeras regiões do mediterrâneo oriental e da Ásia.

Informações complementares informam também que nos séculos XI a VII a.C, já identificados como pré-coloniais os Fenícios enfrentaram restrições em suas atividades imposta por reinos conquistadores. Esses impactos se diferenciavam nas atividades Fenícias de acordo com o povo conquistador. Os Assírios não exerceram domínio opressivo, as cidades fenícias puderam manter suas atividades comerciais mediante pagamento de impostos os persas, por sua vez, tiraram totalmente a autonomia comercial fenícia no final do século IV a.C., entretanto achados como vasos áticos atestam que produtos estrangeiros continuavam a chegará Fenícia

Natureza das Trocas

Relato de Ounamon:

Escrito em papiro egípcio do século XI a.C relata a história de Ounamon enviado egípcio a corte do Rei Shekerbaal de Biblos. O texto narra as desventuras de Ounamon encarregado de comprar madeira Fenícia para construção do barco sagrado do deus Ammom e que passa dificuldades até ser aceito como interlocutor. Shekerbaal em princípio se recusa a tratar com Ounamon e o faz apenas quando o Egito lhe envia uma série de presentes, ou seja quando sua posição é reconhecida e ele vê-se na obrigação de retribuir. (Relato de Ounamon é uma obra literária).
Transação entre Hiran Rei de Tiro e Salomão Rei de Israel.
Ao enviar dois servos para prestar homenagem a Salomão que acabara de ascender ao trono no lugar do Rei David. Salomão mandou dizer a Hiram: Você sabe que meu pai não conseguiu erguer um templo em nome do Senhor por causa das guerras lançadas a ele por seus inimigos... ... Mas agora o Senhor mim trouxe paz em todas as partes... ... Tenho portanto o desejo de construir um templo em nome do Senhor, meu Deus... ... Mandem então que cortem para mim cedros do Líbano: Meus servos se unirão aos seus. A esses darei a recompensa que você exigir pois você bem sabe que entre meu povo não há ninguém capaz de cortar madeira como os sidônios. III Reis (V, 1-11)

Pesquisa e Organização Alan Cardoso
Graduando em História Pela UFBA (Universidade Federal da Bahia

segunda-feira, 17 de julho de 2017

... Dias Estranhos...

... Dias estranhos... Nosso país mostra atualmente uma face assustadora e ao mesmo tempo reveladora. Desde a Promulgação da Constituição de 1988 essa fase atual tem sido talvez a que mais tivemos a oportunidade de conhecer e usar esse importante e norteador documento. É possível, portanto refletir que apesar de todas as comemorações no momento de sua promulgação e posteriormente elogios a cerca de sua modernidade hoje temos a sensação de que as instituições não convergem para uma igualdade no tratamento aos cidadãos, elas ao contrário, atuam de acordo com siglas partidárias... Protegendo pessoas com largo conjunto de prova que os incriminam e condenando outros utilizando o já famoso argumento da convicção... ... Aprendi ainda jovem sobre a independência dos poderes, não obstante verificamos conversas, conchavos entre membros do auto judiciário nacional (STF) e dos poderes executivo e legislativo... Alia-se a isso a desproporcional força de uma mídia com forte poder de alienação, que indiferente a sua condição de concessão pública encontra-se incumbida única e exclusivamente na defesa de seus interesses comerciais... Enquanto isso o povo assiste a tudo sem poder de reação, observa as conquistas sociais adquiridas após tantas lutas, escapar de maneira passiva... Observam direitos trabalhistas e educacionais acabarem através de reformas tenebrosas e desastrosas... É preciso ter força... A luta precisa continuar, todavia é preciso admitir... ... Dias Estranhos...

Texto: Alan Cardoso
Foto: Alan Cardoso

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Fichamento do Capítulo O CALENDÁRIO do Livro História e Memória do Escritor Francês Jacques Le Goff

Este Documento é o Resultado da Atividade Proposta pelo Disciplina de Introdução ao Estudo de História do Curso Noturno da UFBA desta Ciência. E Discorre sobre o Capítulo O Calendário do Livro História e Memória do Escritor Francês Jacques Le Goff


O autor Jacques Le Goff apresenta em seu estudo uma composição detalhada sobre os diversos processos e técnicas utilizadas desde os primórdios da humanidade na tentativa de codificação do tempo cósmico.
Diferentes sociedades a fim de obterem esse “controle” do tempo construíram modelos diferentes, todavia, semelhantes de calendários. A própria designação do termo “calendário” deriva do latim calendarium que quer dizer livro de contas (Pág. 486) e mostra uma das principais funções desse mecanismo de controle de tempo a de ser exercercido por reis, padres, revolucionários detentores carismáticos (Pág. 478), para o controle do homem e de suas atividades econômicas, religiosas e sociais. O Tempo do calendário é totalmente social, entretanto foi submetido aos ritmos do universo (Pág. 478). O texto demonstra que o modelo atual (Ocidental) de calendário o Gregoriano, em vigor em muitas sociedades foi fruto de diversas experimentações e reformas e que o mesmo, ainda assim, não atingiu estatus de precisão e unanimidade, visto que possui um excesso de três milésimos de dia, assim em 10 mil anos o calendário Gregoriano terá três dias a mais. As tentativas de adequar o tempo as demandas humanas através de reformas, conclui o autor, prova que uma reforma do calendário é possível e pode trazer inegáveis progressos, todavia para que esta seja bem sucedida deve, antes de tudo respeitar a história porque o calendário é a história.

. O documento sobre o Calendário é dividido em 12 partes (Pág. 477), são elas:
* Calendário e Controle do Tempo; *O céu e a terra: A lua, o Sol os Homens; *O Ano; *As Estações; *O Mês; *A Semana; *O Dia e a Noite; *Os Trabalhos e as Festas; *Para Além do ano: Era, Ciclo, Século; *História e Calendário; *A Cultura dos Calendários e dos Almanaques e Os *Calendários utópicos.

Segundo o autor, em referência ao Calendário e Controle do Tempo (Pág. 478), A “conquista do tempo” através da medida... É um importante aspecto no controle do universo pelo homem. É também objeto de análise a forma considerada “essencial” com que os detentores de influência intervia na medida do tempo de uma sociedade como um elemento essencial do seu poder. O texto afirma ainda que o calendário é um dos grandes emblemas e instrumentos do poder, tendo: reis, padres, revolucionários... “Detentores Carismáticos”, como os senhores do calendário o texto cita ainda exemplos onde através das cosmogonias a criação do calendário é atribuída aos “deuses” (E que haja luzes no firmamento do céu para distinguir o dia e a noite e que sejam como sinais para as estações para os dias e para os anos) [...] (Gênese, 1,14).

Legoff ao discorrer sobre o O céu e a terra: A lua, o Sol os Homens (Pág. 487), diz que o Calendário depende do tempo cósmico, regulador da duração que se impõe a todas as sociedades humanas; mas, essas o captam, medem-no e transformam-no em calendário segundo suas estruturas sociais e políticas. O autor informa que a primeira divisão do tempo natural que se apresenta aos homens é o dia [...] e faz uma diferenciação dos calendários Lunar e Solar ponderando que o mês lunar varia de cerca de vinte e nove dias e seis horas a cerca de vinte e nove dias e vinte horas, trazendo irregularidades que impõe delicados problemas de cálculos assim como uma necessidade de observação freqüente. Essas anormalidades tiveram impactos, sobre tudo no contexto religioso sendo necessária a realização de ajustes, em contrapartida os calendários solares não apresentam tantas dificuldades como os lunares visto que a duração de um ano solar se adapta melhor aos ritmos da vida das sociedades. O concílio de Nicéia em 325 d.C deu início a um processo que viria culminar com a instituição do calendário gregoriano... Todavia o calendário Gregoriano em vigor até hoje em muitas sociedades possui um excesso de três milésimos de dia, assim em 10 mil anos o calendário Gregoriano terá três dias a mais.

Ao falar do Ano (Pág. 497), o autor problematiza algumas questões relacionadas a essa medida de tempo partindo da primícia que se segundo o calendário o ano é, sobretudo uma sucessão das estações e logo dos trabalhos e das festas, comporta também os quatro aspectos abaixo citados: O início do ano (Ano Novo); O ritmo anual enquanto ritmo orçamental das sociedades modernas; O problema do ano no cômputo da vida humana e o problema do ano enquanto data como ponto de referência de fatos históricos. O ano é ainda segundo o autor a unidade fundamental do calendário em 153 o 1º de janeiro foi fixado como início do ano data da entrada dos cônsules em função a já era escolhida em algumas ocasiões como ponto de partida para a contabilidade anual dos comerciantes, o ano tornou-se, portanto a medida da existência humana.

Sobre as estações (Pág. 501), o autor as apresenta inicialmente como quadro dos trabalhos e das festas do calendário e como um bom observatório para o estudo dos aspectos tradicionais do calendário. O texto informa que na Grécia antiga só existia duas estações a quente e a fria e que isso mudou posteriormente para quatro estações, segundo ele o sistema com quatro estações era religioso e simbólico além de agrícola impondo-se tanto na arte quanto no calendário antigo. O domínio cultural dos povos que vivem nos climas temperados difundiu um sistema de quatro estações (Quadripartido) o autor cita a primavera e o outono como exemplo, segundo ele essas duas estações emanaram uma aura que impõe a sensibilidade e a arte de tal modo que expulsa-lo do calendário seria impossível

O interesse pelo mês (Pág. 504), como medida de tempo parece residir em sua ligação com a lunação ligação registradas em diversos calendários. O mês já possuiu em sociedades diversas números de dias diferentes sempre intrinsecamente ligado a vida social, religiosa e, sobretudo reguladora do trabalho na agricultura e pesca, para os romanos o calendário Juliano atribuía um significado de fasto e Nefasto, á um mês fasto de trinta e um dias, a partir de janeiro, sucedia um mês nefasto de trinta dias, o mais nefasto, porém era fevereiro que tinha só vinte e oito dias numero par, no século XVIII a igreja fez do mês de maio o mês de Maria e da virgindade mês que não era conveniente casar-se.

Segundo Le Goff a semana, (Pág. 506), que parece ser uma invenção dos hebreus é a grande invenção humana no calendário a semana é testemunhada no Antigo Testamento pelos sete dias da criação no Gênese, dos hebreus passou para os gregos e para a Alexandria, mas, só se difundiu pelo ocidente depois do século III a.C. Segundo o texto a grande virtude da semana é introduzir no calendário uma interrupção regular do trabalho e da vida cotidiana, um período fixo de repouso e tempo livre.

Sobre o Dia e a Noite, (Pág. 507), Le Goff afirmou que seu interesse perpassava pela observação desses como célula mínima de tempo e, portanto ainda segundo ele como elemento facilmente manipulável, por essa razão foi mais sobre ele do que qualquer outra medida de tempo que se exerceu a manipulação religiosa do Fasto e Nefasto. Apesar de tão natural para muitas sociedades contemporâneas o dia com 24 horas que começa ás zero hora não se difundiu ainda por toda a parte, para muitos povos o dia vai de um pôr-do-sol ao pôr-do-sol seguinte.

Ao falar dos trabalhos e das festas, (Pág. 510), o autor expõe a idéia de que a função essencial do calendário é a de ritimar o movimento do trabalho e a do tempo livre.

Para além do Ano, Era, Ciclo, século... (Pág. 513), Além do sistema essencial dia/semana/mês/ano, comum a toda humanidade os sábios e os governante sentiram a necessidade de ir mais longe de dominar mais amplamente o tempo do calendário. O calendário necessita apenas de uma data de ano novo, mas, a história e todos os atos e documentos que exigem uma data puseram o problema do período do início do tempo oficial, um ponto fixo a partir do qual se inicia a numeração dos anos... O ponto fixo é a ERA... ... As eras em geral são acontecimentos que considerados fundadores, criadores com um valor mais ou menos mágico foi proposto, portanto o nascimento de cristo foi proposto por Diocleciano o mesmo situava essa data no ano 753... Hoje a era cristã é a mais aceita no mundo...
História e Calendário, (Pág. 515), Sentiu-se a cada passo que o calendário é o resultado de um diálogo complexo entre a natureza e a história. A história dos almanaques e calendários é, sobretudo uma história de reis e grandes personagens e de heróis antes de qualquer outra coisa.

A cultura dos calendários e dos almanaques, (Pág. 517), Os calendários também foram analisados pelo autor sobre a ótica de objeto, segundo ele os calendários e almanaques eram objetos eminentemente culturais, pois foram representados das mais diversas formas, com o passar do tempo na idade média, por exemplo, eles aparecem nas miniaturas e nas esculturas concebidos para a coletividade eles, segundo o autor eram locais de encontro entre privilegiado entre as culturas eruditas e populares
Os calendários utópicos (Pág. 519), ... Sabe-se que a multiplicidade dos calendários suscita um crescente embaraço para as nações que estão empenhadas em uma organização internacional e em função disso os homens não se contentaram em controlar o tempo por meio de calendários utilitários transformaram-no também em depositário de suas esperanças levados às vezes ao nível de utopia surgiram assim diversas propostas que tinha m à pretensão de atender tanto a vida social e cotidiana como os eventos religiosos, todavia para uma reforma do calendário para ser bem sucedida deve antes de qualquer coisa respeitar a história porque o calendário é história




Sobre o Autor: Nascido em 1º de Janeiro de 1924 O Historiador francês especialista em Idade Média, Jacques Le Goff foi um membro da terceira geração da Escola dos Annales, movimento que defendia, entre outras coisas a incorporação de métodos das Ciências Sociais à História.



Resumo, montagem e formatação: Alan Cardoso.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


... Gosto de DESAFIOS... “Eles” nos fazem sair da “famigerada” Zona de Conforto, que, em princípio, passa a impressão de dificuldade, na realidade, nos abrem as portas para novas e surpreendentes possibilidades... O NOVO sempre nos surpreende e, Não obstante aos que cultivam um comportamento mais acomodado, continuo afeito ao inesperado... Existe por um acaso algo melhor do que ser surpreendido? O marasmo é desgastante... Entediante e não condiz com quem tem bons planos para a vida... Aliás, a própria vida em si não auxilia a repetição, ela, A VIDA, a todo instante se renova... Se transforma, se refaz... Agradeço a Clínica de Exames Radiológicos e Ambulatoriais do Subúrbio Ferroviário pelo acolhimento e pelos aprendizados que mim proporcionou...









segunda-feira, 15 de junho de 2015

Folha de Notícias




... O que desejo trazer aqui é o meu profundo desejo de GRATIDÃO... Termo insuficiente, contudo, inegavelmente necessário...
... Dizem que nenhuma história é boa o suficiente se não for bem contada... Eu, por outro lado, já vivi experiências que por mais que mim esmerasse na descrição, ao final, averigüei que não tinha sido suficiente... Talvez eu não tenha habilidade o suficiente com as palavras ou quem sabe ela, a palavra, tanto escrita quanto falada seja limitada ao ponto de não ser fidedigna o suficiente para descrever determinados episódios da vida... ... ... É, justamente, nesse dilema que encontro-me atualmente... Trata-se da imagem e texto acima... A reprodução de uma coluna do Jornal Folha de Notícias da Santa de Misericórdia da Bahia... ... ... As pessoas próximas sabem que não costumo legislar em causa própria, muito menos possuo o hábito de auto incensar-me... O que desejo trazer aqui é o meu profundo desejo de GRATIDÃO... Gratidão por essa instituição que sempre acolheu-me de maneira maternal... ... Ponderei em outra oportunidade que o uniforme da Santa. Casa é daqueles que “envergam varal”, referindo- me a responsabilidade de exercer qualquer função dentro dessa instituição que, como foi dito no trecho da reportagem, está atingindo meio milênio de existência... ... ... ... ... Quando referir-me a limitação das palavras aludia-me a insuficiência dos termos “obrigado, agradecido etc..." ... Apesar de o mesmo ser inegavelmente necessário... Sei Sra. Cláudia Moraes que a indicação desse colaborador, que hora escreve, para a edição presente deste periódico foi muito mais por sua generosidade do que por méritos próprios... Espero e continuarei á trabalhar para quiçá um dia ser integralmente merecedor de tanta confiança e carinho.

Alan Cardoso

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015





Dois anos de casa
... Há exatos dois anos, vesti pela primeira vez o uniforme da Santa Casa de Misericórdia da Bahia em seguida, após reflexão, compreendi o significado da frase: Camisa de Envergar Varal...
No dia 20 de Dezembro de 2012, fazia uso dessa mesma Rede Social para, naquele instante anunciar o meu desligamento da Fundação Dom Avelar Brandão Vilela... Foram 11 anos atuando como agende sócio cultural naquela instituição... Tempo em que tive a oportunidade de aprender boa parte do que possuo hoje de conhecimento... Entretanto, a vida segue e seguiu... E exatamente no dia 04/02/2013 era acolhido na Santa Casa... ... ...
Logo na entrevista, mim policiando para ser objetivo e claro em minhas respostas, como havia sido aconselhado, respondi a uma pergunta inesperada: Diante da exposta vivência na área social, qual a sua expectativa quanto a atuar na área de saúde? ... ... ... ... ... O Breve Silêncio era a melhor resposta... Não sabia o que esperar... Tudo era novo... ... ... Descobri em seguida que o novo é semelhante a uma página em branco ávida por abandonar a mudez... Por manifestar-se... ... Revelar sua face... E assim se fez... Jamais gostei de abrir competições entre fases da minha vida a fim de descobrir tempos bons e ruins... A melhor época é sempre é a atual... Pois é nela que temos o poder de agir... Mudar... Transformar... ... Enfim é no tempo presente que existe o mistério das possibilidades... Obrigado Santa Casa!... Não direi que venham os próximos dois anos... Porque os tempos passam e as coisas mudam... Desejo apenas que essa relação seja do tamanho de sua reciprocidade... ... ... ... ... Jamais dormi antes de sonhar... Sempre desejei ser calmaria justamente por acreditar que já existe tempestade por demais... Que doravante essas duas palavras sejam tônicas... Pois sonhos e calmaria são terrenos férteis para grandes projetos.
No dia 20/12/2012, quando despedia-me da Fundação Dom Avelar disse: “Hoje encontro-me já em outra empreitada tão árdua quanto, porém, espero que seja tão saborosa e gratificante quanto foi essa em que fiz”... ... Está sendo...

Alan Cardoso

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

As Obras Assistenciais Comunitária da Vila de Acupe Realiza Grande Exposição de Artes Confeccionadas Por Alunos da Instituição

Foto: Alan Cardoso


As Obras Assistenciais Comunitária da Vila de Acupe desenvolve atividades socioeducativas na comunidade de Acupe há 27 anos e há dois anos essa entidade vem desenvolvendo em parceria com a Petrobrás com a supervisão do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescente o Projeto Arte e Educação Passaporte Cultural para Formar um Cidadão.


Foto: Alan Cardoso


Como atividade Integrante desse projeto, que é coordenado pela pedagoga Ednalva Purificação, Está sendo realizada desde o dia 09 de Outubro e vai até o dia 30 do mesmo mês a: EXPOSIÇÃO ARTEDUCA.


Foto: Alan Cardoso


Trata-se de uma exposição artística com: PINTURA DE QUADROS, CONFECÇÕES DE ROBÔS, MANDALAS, MÁSCARAS VENEZEANAS ENTRE OUTROS. Desenvolvidos pelos próprios alunos da oficina de Artes manuais que tem como responsável técnico o professor e conhecido artista da Comunidade, Zeck.


Foto: Alan Cardoso


A Exposição de Artes, ARTEDUCA, que está sendo realizada no Centro Cultural Dom Hélder Câmara, tem recebido a visita de centenas de estudantes e pessoas da comunidade que vão até o espaço apreciar o trabalho desses talentosos artistas mirins da comunidade de Acupe.


Foto: Alan Cardoso


Data: 09 a 30 de Outubro
Local: Centro Cultural Dom Hélder Câmara (Ao lado da Creche Anna Sironi)
Horário: 08:30 às 11:00 e das 14:00 às 16:00
Obs: Para a entrada é preciso levar apenas 03 GARRAFAS PET


Foto: Alan Cardoso


Foto: Alan Cardoso